Por Ben Barry
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Voltemos a março de 2009, quando a CAR foi a primeira revista a visitar o quartel general da Volkswagen em Wolfsburg, Alemanha, para testar o Golf GTI versão Mk6. Era uma evolução moderada do Mk5, que nos deixou dúvidas se seria mesmo o 911 dos "hatchs", mas confirmava o posto de melhor hatch esportivo que o dinheiro poderia comprar naquele momento. Mas ficava uma dúvida ao compará-lo com o Focus RS. O GTI parecia mais calmo, plácido, mas não menos eficiente. Hora de provocar o pessoal da montadora: "O GTI sem dúvida é o carro que quero para o dia a dia, mas quando penso em encarar uma estrada tentadora, o carro que me vem à cabeça é o Focus RS", digo a ele. "Ah, o RS, fantástico, mas espere para ver o que trouxemos aqui", responderam. "Não me preocupo com o RS", deixando escapar que o R terá um quatro cilindros turbo e cerca de 260cv. "Sem mais detalhes! 2.0, nada mais, e com tração integral", oops, escapou mais um.
Pouca informação, mas suficiente para aguçar nossa curiosidade sobre o novo Golf R, cujas gerações anteriores - Mk4 e Mk5 - sempre esnobaram trações integrais e outros penduricalhos. O antecessor de todos eles, o VR6, foi um marco, um divisor de águas na classe dos hatchs. Este novo carro também é um divisor de águas. O que mais se assemelharia a ele é o Mk2, uma série limitada, feita apenas para homologação para competições de rally, que tinha tração integral e aparência baseada no Audi Quattro com motor de quatro cilindros. Seria este um puro-sangue como aquele, um clone de um Audi R32, de um S3 ou como fará para acabar com aquela impressão que tenho do Focus? Chegamos a um galpão fechado, onde apenas as pessoas com o nome na lista na entrada poderiam entrar, e entre os barrados, muita gente da própria VW, quanto mistério.
Mas quando aparece, imediatamente passa a impressão de "desejável". Pintado de azul, mostra a tendência da VW de fazer carros limpos, sutis, sem dar pistas de ser um GTI. Chama a atenção os para-choques com grandes entradas de ar, os espelhos pintados em preto brilhante, o spoiler traseiro e o agressivo escapamento duplo e central. LEDs dianteiros fazem conjunto com os traseiros, criando um visual agressivo. Com 20mm mais baixo que o GTI e a opção das rodas aro 19 (cerca de R$ 1.000 a mais que as originais 18), parece mais encorpado, já que o sistema de tração integral pede mais área de atrito. Mas não passa de ilusão, segundo o pessoal da fábrica. O carro custará entre R$ 81 e 84 mil - R$ 4 mil a mais pelo câmbio semi-automático (preços na Europa). As cores disponíveis serão a azul, preto, vermelho, prata ou cinza para carrocerias de três ou cinco portas. O câmbio terá seis marchas manuais ou DSG (semi-automático).
O máximo que faremos hoje é dar uma boa olhada e sentirmos o interior do carro. Por dentro é confortável, num ambiente que traz detalhes em preto brilhante e alumínio, com ponteiros dos instrumentos azuis e novos bancos em couro com revestimento central tipo Alcântara. Bancos Recaro serão opcionais, por cerca de R$ 6 mil a mais. Sistemas de ar-condicionado e sonorização são comandados por tela "touch-screen", navegador por GPS será opcional.
A grande surpresa está em baixo do capô. Um motor 2.0 que não é um desenvolvimento do EA888 de 1984cc do Golf GTI Mk6 - que caminha para a aposentadoria - mas o mesmo encontrado no antigo GTI MkV e, intrigantemente, no Audi S3, com um pouco mais de potência. Fica difícil não traçar paralelo entre o R e o S3.
Essa versão ganhou novos pistões, comandos de válvulas e sistema de injeção, além do turbo/intercooler. Parecido com o S3? Segundo o diretor da VW Individual - divisão equivalente à AMG da Mercedes ou M da BMW - Reiner Mangold, será bem semelhante a um S3. "As mudanças principais estão na otimização do motor e no escapamento, que proporciona ganho de potência.
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